Fiscalização e papel do engenheiro agrônomo no uso de agrotóxicos são destaques na solenidade de abertura do II AgroNordeste

A preocupação com o crescimento acelerado do mercado de agrotóxicos e as consequências do uso indiscriminado dessas substâncias para a saúde e o meio ambiente foi o tom dos discursos na solenidade de abertura do II AgroNordeste. O evento aberto na noite desta quarta-feira (11/11) no auditório da AEASE foi prestigiado por profissionais, lideranças da Confederação dos Engenheiros Agrônomos do Brasil (Confaeab); representantes do Sistema Confea/Crea/Mútua; de entidades de classe; conselheiros e estudantes de agronomia.

Neto destacou que o agrotóxico é uma importante ferramenta na produção de alimentos desde que sua utilização seja feita com a orientação de um engenheiro agrônomo capacitado e ético. “Se a substância for usada de forma correta não há danos para a natureza e nem para a saúde de quem consome os alimentos”, disse.

Ângelo Petto alerta que o pequeno produtor rural é desassistido. “Sem assistência técnica e necessitando produzir, o agricultor não usa as boas práticas agrícolas e recorre a práticas defasadas e faz uso de produtos inapropriados, muitas vezes até ilegais. Daí a necessidade da presença e do acompanhamento de engenheiro agrônomo nessas áreas para acompanhar a cadeia produtiva garantindo uma segurança alimentar”, ressalta o presidente da Confaeab ao frisar que a mudança passa pelo respeito às leis que norteiam a produção e neste contexto é fundamental a atuação dos Creas, enquanto órgãos fiscalizadores.  “Se o agrotóxico deve ser utilizado com a orientação de um profissional capacitado, que no caso é um engenheiro agrônomo, cabe os Creas atuarem quando isso não ocorrer”, defende Petto.

Em seu discurso na solenidade de abertura do II AgroNordeste, o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Sergipe (Crea-SE), engenheiro agrônomo Arício Resende reforçou  a necessidade de uma mobilização integrada, o que inclui a própria sociedade no combate ao uso indiscriminado de agrotóxicos. “Estamos diante uma grave situação. Segundo o Ministério da Saúde, entre 2007 a 2014, 34 mil notificações de intoxicação por agrotóxicos foram registradas no Brasil. Segundo o Dossiê da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva), entre 2000 e 2012, o uso de agrotóxicos cresceu 288% no país.”, destacou o presidente do Conselho.

Arício Resende destacou, ainda, que a má utilização de agrotóxicos transforma defensivos agrícolas em veneno, o qual é consumido pela população, “70% dos alimentos in natura consumidos no país estão contaminados por agrotóxicos”, aleta ele tendo por base pesquisa da Anvisa, a qual mostra que  o pimentão é a hortaliça mais contaminada por agrotóxicos, seguido do morango (63%), pepino (57%), alface (54%), cenoura (49%), abacaxi (32%), beterraba (32%) e mamão (30%)

O presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Sergipe (AEASE), Naum Araújo disse que a proposta do II AgroNordeste é justamente ampliar essas discussões para que se busque novos caminhos para uma alimentação saudável e sustentável.

A solenidade de abertura também contou com a presença do diretor de Benefícios da Mútua, Jorge Silveira que representou o presidente da Mútua, Paulo Roberto de Queiroz Guimarães. Em seu discurso fez uma explanação sobre a importância da Mútua- Caixa de Assistência dos Profissionais dos Creas e os projetos da nova gestão. “A entidade oferece muitos benefícios aos seus associados e nossa meta é ampliar esse trabalho. Uma das novidades nesse sentido é a criação da bolsa de estudos para os filhos dos associados”, disse Jorge.

Também marcaram presença na solenidade os seguintes representantes da Confaeab: o vice- presidente Emílio Elias Mouchrek Filho; o diretor Francisco Auricélio de Oliveira Costa; o diretor de Relações Internacionais, João Sebastião de Paula Araújo; diretor do Departamento de Assuntos Parlamentares, José Adilson Oliveira. O secretário estadual da Agricultura, Esmeraldo Leal representou o governador Jackson Barreto.

Palestras

O II AgroNordeste e o Encontro Estadual de Engenheiros Agrônomos é promovido pela AEASE e CONFAEAB com o apoio do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Sergipe (Crea-SE). O evento, que acontece na sede da AEASE prossegue nesta sexta-feira com palestras e discussões em torno do tema ‘Agrotóxicos, Alimentos e Meio Ambiente’ ministrados por engenheiros agrônomos e especialistas de vários estado do Brasil.

Fonte: Ascom / CREA-SE